Segunda-feira, 24 de Julho de 2017

10 anos de vozes dissonantes

 

  

Nestes 10 anos de vozes dissonantes aprendi a observar situações e acontecimentos com outro olhar. Para isso foi fundamental o feedback que fui recebendo para perceber os meus próprios preconceitos culturais e identificar a minha tendência para o equívoco empatia vs o que eu faria se estivesse no seu lugar. :)

 

Assumo alguns possíveis erros de interpretação de acontecimentos, sobretudo os que se referem à política nacional. No entanto, verifico que o meu cepticismo estava correcto. É essa a tonalidade geral destas vozes dissonantes, seja na política nacional seja na política europeia.

 

A tragédia recente de Pedrógão Grande deixou-me completamente desiludida, no sentido de não haver lugar para quaisquer atenuantes ou justificações. 

Confirmou-se aquilo de que sempre suspeitei. A negligência política e a fria indiferença pelas populações, sobretudo as do interior abandonado e esquecido.

Décadas de negligência política relativamente aos incêndios, uma questão prioritária de segurança nacional, das populações e do território. E que reflecte inoperância, ineficácia e incompetência estatal na protecção civil, na administração interna, na justiça, na agricultura e no ambiente.

Como se pode viver num país onde se perdeu completamente a confiança nas instituições-chave?

 

As populações estão entregues a si próprias e à sua capacidade de sobrevivência através da colaboração comunitária e do "voluntarismo excessivo".

O único consolo que nos resta é vermos como as populações são infinitamente melhores do que os gestores políticos que as representam. Revelam uma dignidade, generosidade, resistência, eficácia, que estamos longe de encontrar nas elites nacionais.

 

Partidos políticos como o PS, PSD e CDS, que se foram revezando no poder e revelando a sua cultura de base, têm de ser fortemente penalizados nas eleições autárquicas. É o primeiro sinal vermelho que precisam de ver à frente dos olhos.

Um mês depois da tragédia, sem qualquer sensibilidade ou empatia, já iniciaram o circo da propaganda eleitoral, o governo PS querendo compensar a negligência com o sucesso económico, o PSD e o CDS criticando o governo quando também falharam na mesma gestão.

 

Aqui prometi analisar de perto estas autárquicas e os candidatos, sobretudo os do interior, abandonado pelos serviços estatais e massacrado pelos incêndios.

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:29
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Quarta-feira, 31 de Maio de 2017

Reino Unido: o voto dos jovens e a possibilidade da inovação cultural na política

 

 

O debate está aceso no Reino Unido. As eleições de 8 de Junho serão decisivas.

Muitos jovens podem ainda não ter percebido a importância do seu voto. Afinal, o seu voto não contou no Brexit, atiraram-nos para fora de uma Europa onde já se sentiam em casa.

E no entanto, a possibilidade da inovação cultural na política reside no seu voto.

 


Vivemos numa época de transição da política: das ideologias de grupos competitivos com propostas para formatar a nossa vida colectiva, para plataformas políticas baseadas na participação cívica responsável, comunidades criativas que trabalham em colaboração.


Neste momento, o Labour é o que se aproxima dessa cultura política inclusiva, que responde a desafios concretos e procura o equilíbrio social. É o primeiro passo para a inovação cultural na política.

Os conservadores são actualmente o principal obstáculo a essa possibilidade.


A fórmula é muito simples: votar estrategicamente - participar na vida política - criar comunidades criativas - trabalhar em colaboração.



Não se sabe ainda se o Brexit é ou não um processo reversível.

Tudo está a mudar muito rapidamente.


Quando votaram Brexit, ainda desconheciam a nova realidade mundial e as suas implicações:

- a nova administração americana e os estragos que pode implicar a nível político, económico, ambiental;

- os atentados em Londres e Manchester, e os enormes desafios a nível da segurança, que depende de uma colaboração estreita entre países e continentes; 

- as tensões sociais e a agressividade xenófoba, inflamada pela irresponsabilidade política dos Brexiteers, que utilizaram os imigrantes como bodes expiatórios.



A Europa também está a viver um período de transição, o que terá implicações, inevitavelmente, na UE, nos seus actuais desequilíbrios, e na sua cultura política e económica.



Este é o portal que se abre no tempo para os jovens do Reino Unido. 

E porquê no tempo?

Porque a incompetência política, a incapacidade de identificar os desafios, destacar as prioridades, escolher as estratégias eficazes, pode atrasar um país e com ele as vidas de gerações, por uma ou mais décadas. 

Essa é a importância do seu voto.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:59
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Quinta-feira, 4 de Maio de 2017

Esperemos que Macron se consiga desformatar da cultura financeira já que revela ser capaz de aprender :)

 

 

Será possível alguém formado na finança, formatado na cultura financeira, para quem a economia se baseia na finança, desformatar-se dessa cultura?

É certo que Macron vê a economia como uma intercomunicação em tempo real, sempre em movimento, a que ele ainda chama de "ciclos" (e nós sabemos o que é que influencia os ciclos: os riscos financeiros).

A economia, assim perspectivada, valoriza sobretudo as empresas como o motor essencial, mas esquece-se que já estamos numa nova plataforma da economia. As empresas precisam da inovação e a inovação está nas pessoas e nas equipas. Mais, a inovação está nos jovens, aqueles que têm sido esquecidos pela cultura financeira.

 

E aqui temos o paradoxo de Macron, que esperemos ele consiga resolver em si próprio:

- ao perspectivar a economia colocando-se do lado das empresas como o motor da economia, é evidente que tem de referir "a protecção do trabalhador".

Estão a ver? Este é o paradoxo.

Se perspectivarmos a economia do lado das pessoas, das equipas, dos jovens, e da inovação, não precisamos de criar mecanismos de "protecção do trabalhador". Porque estará tudo interligado. 

E se perspectivarmos a economia para lá da inovação tecnológica, considerando a inovação cultural, ninguém fica de fora, todos têm um lugar, todos participam e colaboram.

 

As limitações da economia baseada na moeda e submetida à finança e aos mercados, já estão visíveis, já ninguém confia na sua viabilidade, a não ser se aceitarmos o futuro como uma sequência do presente: desigualdades sociais, altos níveis de desemprego, instabilidade, desperdício de recursos. 

A economia só pode ser "revitalizada", palavra cara a Macron, quando a economia for baseada nos recursos e na sua urilização pelas pessoas. É essa a desformatação cultural financeira que Macron terá de fazer e depressa. :) Porque, se tudo correr bem para os franceses e para os europeus, em breve vai ter de negociar com grupos e movimentos políticos.

 

 

Porque considero que a cultura financeira não é uma ideologia?

Porque as ideologias têm um corpo teórico, uma visão de sociedade que querem implementar, com um conjunto de princípios e valores. Exemplo: Le Pen e recriar ou replicar a "civilização francesa" (quase que visulizamos o Rei Sol e a sua corte em Versailles. Ou será a Revolução francesa? Ou será Pétain?) E é bom lembrar que as ideologias têm recorrido à finança, andam de braço dado. :)

 

A cultura financeira é uma perspectiva do mundo e da economia: tudo gira à volta da capacidade de produção (empresas), num mundo competitivo em que tudo é valorizado em termos monetários. Tudo. Nesta cultura financeira confia-se na competência dos grandes bancos e das empresas. E se falharem, há mecanismos de "protecção do trabalhador".

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:12
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Domingo, 30 de Abril de 2017

Quem trouxe Le Pen à 2ª volta?

 

 

Quem trouxe Le Pen à 2ª volta?

Quem financiou a sua campanha?

Quem criou as condições favoráveis à recepção e aceitação da sua mensagem repelente?

 

Financiamento: o foco de luz recai sobre a Rússia. Sem financiamento não teria sido possível montar aquela máquina de atrair revoltados saudosistas.

Condições favoráveis: os políticos convencionais e a própria UE.

Políticos convencionais: as ideologias políticas do séc. XX já não interpretam a realidade actual das vidas concretas. Serviram os interesses das elites políticas, financeiras e económicas e, enquanto houve recursos para distribuir por uma parte da população, aguentaram-se no poder intercalando no governo. Isto já não voltará a funcionar assim.

A UE: falhou em quase tudo no projecto europeu e agarra-se, teimosamente, à cultura financeira, à supremacia da finança sobre a economia. E é aqui que tenho de reconhecer a minha admiração pelo povo grego. Apesar de ter sido tratado pelas instituições europeias de forma inclassificável, escolheu permanecer na UE. E apesar das suas dificuldades económicas, ainda recebeu os refugiados nas suas ilhas e não consta que os queira expulsar. Os franceses que, comparativamente, só foram beliscados pela cultura financeira e pela austeridade, falam em sair da UE.

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:44
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Sábado, 29 de Abril de 2017

A solução governativa portuguesa e Macron :)

 

 

Interessante análise das eleições presidenciais francesas. A começar pelo título: O presidente Macron precisa de uma geringonça. :)

 

A solução governativa portuguesa deve a sua inovação e funcionalidade a 3 condições favoráveis:

- a vontade da maioria da população que não quer voltar ao passado;

- a sintonia e harmonia governo-presidência;

- e o perfil das suas lideranças políticas (PM, Catarina, Jerónimo, Heloísa) e do próprio Presidente.

 

Foi esta a nossa sorte, conjugarem-se as 3 condições favoráveis que nos abriram esta janela de oportunidade.

 

1ª- A solução governativa - governo do partido socialista baseado em acordos parlamentares com três correntes de esquerda - funciona porque a alternativa - voltar à austeridade conservadora imposta pela cultura financeira -, é rejeitada pela maioria da população. 

 

2ª - A harmonia e respeito institucional Presidente - governo permite hoje, no nosso regime semi-presidencial, o melhor das suas instituições. Um Presidente que conhece a fundo e respeita a Constituição, que utiliza o seu poder de influência de forma adequada e pedagógica, e que é afável e presente junto das populações. Um PM que sintoniza com as grandes orientações e prioridades para o país, e revela maturidade (ausente na grande maioria dos políticos), para ouvir e colaborar através da acção concreta, do poder executivo.

 

3ª - O perfil dos gestores políticos portugueses actuais é uma condição fundamental para a sua eficácia.

E é aqui que entra Macron. Se a sua elasticidade e plasticidade for um sinal de inteligência estratégica, e se esta inteligência estratégica também estiver conectada a alguma inteligência emocional, maturidade e capacidade de negociação, abrem-se as possibilidades para uma gestão política eficaz. 

Maturidade e capacidade de negociação para ouvir, promover e optimizar a colaboração entre os vários grupos políticos que tenham em comum respeitar a democracia, incluindo o eleitorado de Mélenchon, agora sem representação política.



 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:56
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Segunda-feira, 24 de Abril de 2017

França: o que está a falhar na segurança das populações?

  

 

Ontem acompanhei os resultados da 1ª volta das eleições presidenciais francesas. E, no final, quando se tinham já perfilado os 2 candidatos à 2ª volta e vi ali Le Pen, percebi claramente que o medo a ajudou.

O paradoxo do securitarismo a partir do medo é que não garante a segurança das populações e cria obstáculos à própria segurança ao alimentar um ambiente propício à insegurança.

É isso que os media deveriam ter descodificado da mensagem de Le Pen, e desmontado as ligações perigosas com a Rússia.

É aqui que as democracias actuais falham na protecção das populações: a segurança depende da democracia, da transparência, da informação correcta às populações. Tudo isto faz parte da prevenção.

Também faz parte da prevenção: o trabalho dos serviços de informação, dos especialistas da internet, dos ataques cibernéticos, da contra-informação, da investigação de ligações políticas e/ou financeiras a interesses adversários ao país e às populações que representam.

Assim como os media não contextualizam o resultado de Le Pen, nem os serviços de informação assinalam nada de estranho nas ligações à Rússia, também não esperamos que consigam contextualizar a revolta de jovens parisienses logo depois de conhecidos os resultados da 1ª volta. O desespero inconformado de quem se sente impotente, quando expresso em violência caótica e revolta mal dirigida, não gera empatia ou compreensão nas populações. E geralmente é-nos apresentado apenas de forma simplista: grupos de anarquistas, por exemplo. São jovens e estão desesperados. São jovens e sentem-se impotentes. São jovens e o sistema não os ouve.

A tensão social é propícia à violência, e se juntarmos a este ambiente de alta tensão quaisquer interferências previstas, todo o cuidado é pouco.

 

O que está a falhar na segurança das populações?

- o sistema político actual. Para se dizer democrático, precisa de se reformar de cima abaixo;

- a investigação de ligações políticas e/ou financeiras perigosas para a segurança do país, da população, mas também da Europa e das suas populações;

- os media que normalizam o inaceitável, acabando por ser um obstáculo à informação que as populações precisam para decidir da melhor forma (neste caso, as eleições). O voto deveria servir para garantir a sua própria segurança e a possibilidade de ver concretizadas as suas legítimas expectativas.

 

As bases de uma democracia de qualidade - informação, transparência, comunicação, equilíbrio, inclusão - são as que melhor garantem a prevenção e a segurança.

 

As pessoas estão entregues a si próprias e é natural que procurem informação nas redes sociais. É certo que lá encontramos muita informação falsa, contra-informação, propaganda mal intencionada, etc., mas há a possibilidade de aprender a filtrar a informação fiável, fidedigna e útil, se estivermos atentos e treinarmos a capacidade de verificar a correlação de diversos factores.

Há que estar atento, alerta, mantendo a calma. Não é fácil.

Há que observar, descodificar, desmontar, procurando a informação mais fiável.

Há que escolher a melhor solução, a que melhor garante o ambiente de segurança propício ao equilíbrio democrático e à prosperidade económica. 

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:17
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Segunda-feira, 10 de Abril de 2017

A França pode aprender com o retrocesso cultural do Reino Unido pós-Brexit

 

 

Fiquei arrepiada ao ver esta reportagem da TVI 24, O Novo Muro. O Reino Unido, que no séc. XX esteve na vanguarda, retrocedeu culturalmente e ainda ando a ver para que século. De qualquer modo, foi para um tempo de trevas.


Reparem em cada experiência relatada, neste caso são conterrâneos nossos mas podiam ser quaisquer outros estrangeiros. 

Reparem também como os nossos conterrâneos não têm qualquer apoio, digno desse nome, do consulado ou da embaixada. Estão entregues a si próprios num meio hostil. 

E reparem na gravação do discurso da PM e no tom de voz, frio, impessoal, como se de um robot se tratasse.


Não prevejo a possibilidade de ver pacificar e regenerar esta tensão cultural, que odeia e rejeita tudo o que é diferente, no tempo de duas gerações. 

Primeiro, ainda têm de sentir as consequências sociais e económicas desta decisão, que foi irresponsavelmente promovida pelos conservadores e pelos populistas.

Depois, ainda têm de verificar que lhes mentiram, que a presença dos estrangeiros não era a causa das suas dificuldades económicas.


Quando um país atinge este grau preocupante de tensão social, tudo nos indica que vai passar por um período de conflitos e até de uma certa violência.

Ora, o ambiente propício à qualidade de vida, à prosperidade económica, à inovação, à segurança, é a democracia e a colaboração entre comunidades.


Estarão os jovens europeus dispostos a viver num ambiente em tudo hostil às suas expectativas legítimas? 

Não creio. Os que tiverem alternativa num outro país europeu, não hesitarão.



A França pode aprender muito com o actual cenário cultural e social do Reino Unido pós-Brexit. 

As eleições são um teste importante à capacidade dos franceses descodificarem a mensagem dos populistas, identificarem a sua cultura de base e desmontarem a sua agenda.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 



publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 22:40
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Sábado, 8 de Abril de 2017

Transplantados do séc. XIX para nos assombrar

 

 

As lideranças europeias não souberam lidar com o caso Dijsselbloem. Primeiro porque não perceberam a sua dimensão cultural, depois porque a sua perspectiva está formatada pela lógica financeira.

O que nos leva a perguntar: como é possível que ainda tenhamos de aturar, em lugares estratégicos para a possibilidade de reabilitar os valores europeus, indivíduos transplantados do séc. XIX? 

Não é uma questão de palavras, como disse o ainda presidente do Eurogrupo, é a cultura que está por trás, própria de um burguês do séc. XIX: vinho e mulheres.

Não é uma questão de palavras, porque voltou a repetir a palavra solidariedade com a definição subvertida, o que tornou a explicação ainda mais horrível do que a entrevista original. A arrogância está lá, eu tenho razão, as palavras é que não foram bem escolhidas.

 

A solidariedade não foi com os países intervencionados, foi com os grandes bancos, porque essa é a sua prioridade: a finança, a moeda.

Foi nisto, nesta lógica fundamentalista, nesta máquina metalizada, que se transformou a Europa das estrelinhas. A que os países e os seus cidadãos têm de se submeter. É isto que Dijsselbloem representa no Eurogrupo, os interesses dos grandes bancos e da moeda.

Enquanto a Europa das estrelinhas nos quiser assombrar com a sua cultura do passado bafiento de cofres fechados, não podemos construir o futuro.

O futuro já aqui está, outras regiões do globo já vivem e respiram a cultura da colaboração, mas a Europa das estrelinhas, que foi vanguardista noutras épocas, virou-se para o passado. 

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 06:31
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Domingo, 26 de Março de 2017

Não, nem todos somos preconceituosos

 

 

Uma frase que me incomodou, a propósito dos comentários televisivos sobre o preconceito cultural de Dijsselbloem: Todos somos xenófobos e preconceituosos. Depois de uns mimos sobre os holandeses que não vou repetir.

A sério? Somos todos xenófobos e preconceituosos? Não, nem todos somos xenófobos e preconceituosos.

Dos holandeses nas praias do Alentejo, que prefiro ao Algarve, guardei os sorrisos, a descontracção, a amabilidade. A simplicidade de quem aprecia a vida. E nisso não se distinguem das pessoas comuns de qualquer país europeu. Ou de qualquer região do planeta.

 

O preconceito cultural surge-nos mais frequentemente nas elites e nas instituições. Não nas pessoas comuns. A não ser que lhes repitam, nos discursos oficiais e nos media, que a culpa da austeridade (neste caso específico) é destes e daqueles por isto ou por aquilo.

Dijsselbloem transmite a cultura de uma instituição europeia que, cinicamente, passou a informação errada sobre a austeridade às populações que diz representar.

Dijsselbloem representa, na verdade, os interesses financeiros. De uma Europa que tem a lata de proteger, no seu próprio coração, fugas de capital e evasão fiscal.

É essa a grande mentira e cinismo que Dijsselbloem representa, embrulhada no preconceito cultural e no bullying político: culpabilizar as populações (dos países intervencionados), humilhar as populações (Grécia), e mantê-las no double bind, a aceitar continuar a alimentar a máquina financeira.

 

É esta a descodificação cultural que temos a responsabilidade de promover nos media e nas redes sociais. As pessoas comuns, as que foram sujeitas a esta inconcebível praga cultural, têm direito a respirar de novo e a apreciar a vida.

E os responsáveis europeus terão de se adaptar e depressa, se não querem desmantelar o melhor que a Europa nos pode trazer a todos: paz, segurança, prosperidade. Que só é possível em democracia e colaboração.

Dijselbloem não tem lugar nessa nova cultura europeia, mas tem uma carreira promissora no grande banco onde a crise financeira começou.

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:47
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Sábado, 25 de Março de 2017

A descodificação cultural no Prova dos 9 (TVI24)

 

 

Gosto de acompanhar o Prova dos 9 sobretudo pelo debate entre Fernando Rosas e Paulo Rangel. Silva Pereira aqui funciona como o moderado.

Onde é que entra aqui a descodificação cultural? A descodificação cultural como a capacidade adquirida pela experiência (de quem está receptivo a ouvir os outros e a aprender com a interacção), de identificar a mensagem de base e desmontar a agenda de discursos, acontecimentos, decisões políticas, financeiras, etc.

Podemos ser levados a pensar, por exemplo, que o debate aceso entre Fernando Rosas e Paulo Rangel se deve a pertencerem a famílias políticas diferentes. Na perspectiva de Paulo Rangel, isso verifica-se, pois tem uma atitude reactiva às afirmações de Fernando Rosas, ligando de imediato as suas opiniões à "extrema esquerda". Mas a análise de Fernando Rosas é a do investigador que procura ser objectivo, imparcial, distanciar-se do objecto de estudo para melhor o compreender.

Relativamente a Dijsselbloem, Fernando Rosas descodificou a mensagem, revelou tratar-se de uma ideologia neo-liberal que promoveu a austeridade nos países intervencionados sobre quem continua a exercer pressão psicológica baseada em preconceitos culturais, e identificou esta perspectiva austeritária na direita e numa parte da social-democracia europeias.

Esta análise parece-nos uma evidência. Compreende-se o desconforto de Paulo Rangel e até mesmo de Silva Pereira.

A social-democracia esvaziou-se na austeridade. É por isso que está a ser penalizada nas eleições. Os partidos ou movimentos que vão captar a atenção dos eleitores serão os que apresentarem uma perspectiva mais pragmática e eficaz, e terão de ser credíveis. Basear-se-ão em equipas e não numa liderança personalizada. 

 

 

 

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:04
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